
APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0001184-89.2002.4.03.6114
RELATOR: Gab. 29 - DES. FED. MARCELO VIEIRA
APELANTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Advogado do(a) APELANTE: MARIO EMERSON BECK BOTTION - SP98184-B
APELADO: MARIA DILMA ALVES MARTINS
Advogado do(a) APELADO: MARIANO RODRIGUES DOS SANTOS - SP165405
OUTROS PARTICIPANTES:
TERCEIRO INTERESSADO: MARIA DILMA ALVES MARTINS
ADVOGADO do(a) TERCEIRO INTERESSADO: MARIANO RODRIGUES DOS SANTOS - SP165405
APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0001184-89.2002.4.03.6114 RELATOR: Gab. 29 - DES. FED. MARCELO VIEIRA APELANTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS Advogado do(a) APELANTE: MARIO EMERSON BECK BOTTION - SP98184-B APELADO: MARIA DILMA ALVES MARTINS Advogado do(a) APELADO: MARIANO RODRIGUES DOS SANTOS - SP165405 OUTROS PARTICIPANTES: TERCEIRO INTERESSADO: MARIA DILMA ALVES MARTINS ADVOGADO do(a) TERCEIRO INTERESSADO: MARIANO RODRIGUES DOS SANTOS - SP165405 R E L A T Ó R I O O EXCELENTÍSSIMO DESEMBARGADOR FEDERAL MARCELO VIEIRA, RELATOR: Cuida-se de juízo de retratação previsto no inciso II do artigo 1.040 do Código de Processo Civil/2015, considerando a decisão proferida pelo E. do C. Superior Tribunal de Justiça na Pet nº 12.482 – Tema 692, representativo de controvérsia, que assentou o entendimento no sentido da possibilidade da devolução de valores recebidos em virtude de tutela antecipada posteriormente revogada. É o relatório.
APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0001184-89.2002.4.03.6114 RELATOR: Gab. 29 - DES. FED. MARCELO VIEIRA APELANTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS Advogado do(a) APELANTE: MARIO EMERSON BECK BOTTION - SP98184-B APELADO: MARIA DILMA ALVES MARTINS Advogado do(a) APELADO: MARIANO RODRIGUES DOS SANTOS - SP165405 OUTROS PARTICIPANTES: TERCEIRO INTERESSADO: MARIA DILMA ALVES MARTINS ADVOGADO do(a) TERCEIRO INTERESSADO: MARIANO RODRIGUES DOS SANTOS - SP165405 V O T O O EXCELENTÍSSIMO DESEMBARGADOR FEDERAL MARCELO VIEIRA, RELATOR: O acórdão representativo de controvérsia proferido pelo C. STJ está assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. PROPOSTA DE REVISÃO DO ENTENDIMENTO FIRMADO NO TEMA REPETITIVO 692/STJ (RESP N. 1.401.560/MT). ART. 927, § 4º, DO CPC/2015. ARTS. 256-S, 256-T, 256-U E 256-V DO RISTJ. DEVOLUÇÃO DE VALORES DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS RECEBIDOS POR FORÇA DE DECISÃO LIMINAR POSTERIORMENTE REVOGADA. ADVENTO DE NOVA LEGISLAÇÃO. ART. 115, INC. II, DA LEI N. 8.213/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 13.846/2019. TEMA N. 799/STF (ARE 722.421/MG): POSSIBILIDADE DA DEVOLUÇÃO DE VALORES RECEBIDOS EM VIRTUDE DE TUTELA ANTECIPADA POSTERIORMENTE REVOGADA. NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL. QUESTÃO DE ORDEM JULGADA NO SENTIDO DA REAFIRMAÇÃO, COM AJUSTES REDACIONAIS, DO PRECEDENTE FIRMADO NO TEMA REPETITIVO N. 692/STJ. [...] 21. Questão de ordem julgada no sentido da reafirmação da tese jurídica, com acréscimo redacional para ajuste à nova legislação de regência, nos termos a seguir: "A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago". (Pet. 12.482/DF, Rel. Min. Og Fernandes, Primeira Seção, DJe 24/05/2022). Portanto, havendo expressa orientação vinculante dispondo sobre o dever de ressarcimento do prejuízo causado à parte adversa pela vigência precária de uma tutela de urgência, tem-se por prescindível que tal obrigação seja consignada no título judicial, podendo o correspondente valor, assim, ser liquidado nos próprios autos, em consideração, também, aos preceitos da economia processual e razoável duração do processo. Nesse sentido, a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça: "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. MARCAS E PATENTES. DECISÃO LIMINAR QUE SUSPENDEU A COMERCIALIZAÇÃO DE MEDICAMENTO. POSTERIOR REVOGAÇÃO. ART. 811 DO CPC/73. PREJUÍZOS QUE PODEM SER LIQUIDADOS NOS PRÓPRIOS AUTOS. REPARAÇÃO INTEGRAL. RESPONSABILIDADE PROCESSUAL OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE PRONUNCIAMENTO JUDICIAL FIXANDO OBRIGAÇÃO DE REPARAR OS DANOS SOFRIDOS. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A obrigação de indenizar o dano causado pela execução de tutela antecipada posteriormente revogada é consequência natural da improcedência do pedido, dispensando-se, nessa medida, pronunciamento judicial que a imponha de forma expressa. 3. Nos termos da jurisprudência desta Corte, os danos causados a partir da execução de tutela antecipada suscitam responsabilidade processual objetiva e devem ser integralmente reparados (art. 944 do CC/02) após apurados em procedimento de liquidação levado a efeito nos próprios autos. 4. Recurso especial provido." (REsp n. 1.780.410/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, relator para acórdão Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 23/2/2021, DJe de 13/4/2021) "DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. TUTELA ANTECIPADA POSTERIORMENTE REVOGADA. DEVOLUÇÃO DE VALORES. PROCESSAMENTO NOS PRÓPRIOS AUTOS DA AÇÃO DE CONHECIMENTO. DECISÃO MANTIDA. 1. "A obrigação de indenizar a parte adversa dos prejuízos advindos com o deferimento da tutela provisória posteriormente revogada é decorrência 'ex lege' da sentença de improcedência ou de extinção do feito sem resolução de mérito, como no caso, sendo dispensável, portanto, pronunciamento judicial a esse respeito, devendo o respectivo valor ser liquidado nos próprios autos em que a medida tiver sido concedida, em obediência, inclusive, aos princípios da celeridade e economia processual" (REsp 1770124/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 21/05/2019, DJe 24/05/2019). 2. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp n. 519.991/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 16/9/2019, DJe de 19/9/2019) Ante o exposto, nos termos do art. 1040, II do CPC, em juízo de retratação positivo, dou provimento ao apelo do INSS, para determinar a reforma do julgado, de acordo com o julgamento proferido pelo C. STJ na Pet nº 12.482/DF – TEMA 692. Oportunamente, encaminhem-se os autos à E. Vice-Presidência para as providências que entender cabíveis quanto aos recursos especial e extraordinário, nos termos do inciso II do artigo 22 do Regimento Interno desta Corte. É como voto.
E M E N T A
PREVIDENCIÁRIO. ART. 1040, II DO CPC/2015. PET Nº 12.482/DF – TEMA 692. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. DEVOLUÇÃO DOS VALORES RECEBIDOS À TÍTULO DE TUTELA ANTECIPADA. JUÍZO DE RETRATAÇÃO POSITIVO.
1. O C. Superior Tribunal de Justiça na Pet nº 12.482 – Tema 692, representativo de controvérsia, assentou o entendimento no sentido da possibilidade da devolução de valores recebidos em virtude de tutela antecipada posteriormente revogada.
2. Juízo de retratação positivo. Apelação do INSS provida.