Diário Eletrônico

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO

APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0005178-24.2016.4.03.6183

RELATOR: Gab. 26 - DES. FED. NEWTON DE LUCCA

APELANTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS

APELADO: MANOEL BERNARDO DA SILVA

Advogado do(a) APELADO: LINDALVA CAVALCANTE BRITO - SP231124-A

 


 

  

 

 

 

 

APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0005178-24.2016.4.03.6183

RELATOR: Gab. 26 - DES. FED. NEWTON DE LUCCA

APELANTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS

 

APELADO: MANOEL BERNARDO DA SILVA

Advogado do(a) APELADO: LINDALVA CAVALCANTE BRITO - SP231124-A

OUTROS PARTICIPANTES:

 

 

 

  

 

R E L A T Ó R I O

 

 

O SENHOR DESEMBARGADOR FEDERAL NEWTON DE LUCCA (RELATOR): Trata-se de ação ajuizada em face do INSS - Instituto Nacional do Seguro Social, visando ao recálculo da renda mensal inicial da aposentadoria por tempo de contribuição, declarando-se “o tempo total de contribuição da parte autora de 36 anos, 08 meses e 22 dias”.  

Foram deferidos à parte autora os benefícios da assistência judiciária gratuita.

Juízo a quo julgou improcedente a ação. Deixou de condenar a parte autora ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, ante a gratuidade da justiça.

A autarquia opôs embargos de declaração, os quais foram improvidos.

Inconformado, apelou o INSS, alegando em breve síntese:

- que, não obstante o Juízo a quo tenha julgado improcedente o pedido, este deixou de condenar o autor ao pagamento de honorários sucumbenciais, por ser aquele beneficiário de justiça gratuita”, sendo que o “CPC de 2015 consigna que a concessão de gratuidade não elide a responsabilidade do seu beneficiário pelas despesas processuais e pelos honorários advocatícios decorrentes de sua sucumbência”.

- Requer, ao final, a condenação da parte autora ao pagamento dos honorários advocatícios, observando o estabelecido no CPC, art.85 e 98, §§2° e 3° do Código de Processo Civil”.

Sem contrarrazões do INSS, subiram os autos a esta E. Corte.

É o breve relatório.

 

 


 

 

 

 

APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0005178-24.2016.4.03.6183

RELATOR: Gab. 26 - DES. FED. NEWTON DE LUCCA

APELANTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS

 

APELADO: MANOEL BERNARDO DA SILVA

Advogado do(a) APELADO: LINDALVA CAVALCANTE BRITO - SP231124-A

OUTROS PARTICIPANTES:

 

 

 

 

 

V O T O

 

 

O SENHOR DESEMBARGADOR FEDERAL NEWTON DE LUCCA (RELATOR): Inicialmente, cumpre notar que a parte autora, beneficiária de aposentadoria por tempo de contribuição, deferida em 21/11/06 e com data de início em 21/2/05, ajuizou a presente demanda em 21/07/16, visando ao recálculo da renda mensal inicial do benefício, mediante o reconhecimento do tempo total de contribuição do demandante. O Juízo a quo julgou improcedente o pedido formulado na exordial.

No tocante à verba honorária, dispõe o art. 98, § 3°, do CPC/15:

“Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei.

§ 3º. Vencido o beneficiário, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos 5 (cinco) anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário.” (grifos meus).

Desse modo, tendo em vista a improcedência do presente feito, arbitro os honorários advocatícios em 10% sobre o valor da causa, cuja exigibilidade ficará suspensa, nos termos do art. 98, §3º, do CPC, por ser a parte autora beneficiária da justiça gratuita.

Ante o exposto, dou provimento à apelação para determinar a incidência da verba honorária na forma acima indicada.

É o meu voto.



E M E N T A

 

 

PREVIDENCIÁRIO. RECÁLCULO DA RENDA MENSAL INICIAL DE APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. BENEFICIÁRIO DA JUSTIÇA GRATUITA. VERBA HONORÁRIA.

I- Dispõe o art. 98, § 3°, do CPC/15: “Vencido o beneficiário, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos 5 (cinco) anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário.” (grifos meus).

II- Tendo em vista a improcedência do presente feito, os honorários advocatícios devem ser fixados em 10% sobre o valor da causa, cuja exigibilidade ficará suspensa, nos termos do art. 98, §3º, do CPC, por ser a parte autora beneficiária da justiça gratuita.

III- Apelação provida.


  ACÓRDÃO

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Oitava Turma, por unanimidade, decidiu dar provimento à apelação, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.