Acordos homologados pelo TRF3 permitiram a continuidade dos trabalhos do Projeto Perus
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) oficializou a identificação de Luci Alves Gomes, desaparecido durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). A confirmação foi obtida pelo Projeto Perus, responsável pela análise dos remanescentes ósseos localizados no Cemitério Dom Bosco, em São Paulo/SP.
Acordos homologados pelo Gabinete da Conciliação do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (Gabcon/TRF3), em ação ajuizada em 2009, permitiram a continuidade das atividades do projeto, fundamentais para o avanço das investigações, o que possibilitou a identificação de sete desaparecidos políticos.
A iniciativa reúne esforços do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por meio do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF), e da Prefeitura de São Paulo.
A Secretaria Municipal de Direitos Humanos de São Paulo apresentou o nome de Luci Alves Gomes ao CAAF, após solicitação das filhas. Elas procuraram o órgão depois de assistirem a reportagens sobre a identificação de outros dois desaparecidos, Denis Casemiro e Grenaldo de Jesus Silva, levantando a hipótese de que o pai pudesse ter tido destino semelhante.
Luci Alves Gomes foi um caminhoneiro paranaense que desapareceu na cidade de São Paulo em outubro de 1974. Após pesquisa preliminar do caso, o CAAF assumiu a investigação e comunicou o fato à CEMDP, em 2026.
Entrevistas e pesquisas documentais permitiram a formulação de hipótese de identificação posteriormente confirmada com o auxílio da procuradora da República Ana Letícia Absy, que solicitou a realização de exame datiloscópico oficial.
A identidade foi confirmada diante do resultado positivo da comparação entre as impressões digitais de uma pessoa sepultada sem identificação no Cemitério Dom Bosco e as registradas no prontuário civil de Luci Alves Gomes, na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná.
Histórico
A vala clandestina no Cemitério Dom Bosco, conhecido como “Cemitério de Perus”, foi utilizada entre 1975 e 1976 e descoberta em 1990.
Durante anos, os remanescentes ósseos passaram por diferentes instituições sem que fosse implementado um trabalho integrado e sistemático de análise.
Em 2009, o Ministério Público Federal ajuizou ação para a identificação de possíveis desaparecidos políticos, vítimas da repressão durante a ditadura militar, enterrados no local.
Encaminhado ao Gabinete da Conciliação em 2017, o processo já resultou em cerca de 60 audiências, sob a supervisão do juiz federal Eurico Zecchin Maiolino.
O cumprimento do acordo segue sendo monitorado, enquanto o CAAF trabalha na reassociação dos remanescentes ósseos.
Paralelamente, as partes envolvidas e representantes da sociedade civil discutem a construção de um memorial para abrigar definitivamente esses remanescentes.
Assessoria de Comunicação Social do TRF3
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