Falecido em 24 de julho, desembargador foi homenageado em celebração que reuniu grande número de pessoas no TRF3 e seções judiciárias
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região recebeu na noite de quinta-feira (31) em seu Espaço Ecumênico, situado no Hall Nobre do 25º andar do edifício-sede, na Avenida Paulista, em São Paulo, mais de 300 pessoas, entre desembargadores, juízes, servidores, familiares e amigos para um Culto Memorial em homenagem ao desembargador federal Jediael Galvão Miranda, falecido no último dia 24 em acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra, quando retornava para sua residência, no município de São José dos Campos, distante 84 km da Capital paulista, após um dia de trabalho. Magistrados e servidores de outras localidades puderam acompanhar o ato por videoconferência. Edgard Catão / TRF3 1.- Pastor Ricardo Aurino dos Santos, servidor da 4ª Vara da Justiça Federal de São José dos Campos
A cerimônia, que teve início às 18h30, foi conduzida pelos pastores Ricardo Aurino dos Santos, também servidor da Justiça Federal em São José dos Campos, e Carlito Machado Paes, da Primeira Igreja Batista São José dos Campos, que era freqüentada pelo magistrado. A finalidade do culto, segundo os pastores, foi o de consolar a família pela perda sofrida, honrar a memória do falecido e meditar sobre a vida e a morte.
Após o prelúdio instrumental executado pelo quarteto de cordas do Teatro Municipal de São Paulo, em conjunto com músicos da Igreja Batista das Nações Unidas (IBNU), de São Paulo, foi dada a palavra à juíza federal Leila Paiva, que fez uma oração de gratidão pelo legado que o Dr. Jediael deixou para todos que o conheceram.
Ricardo Aurino dos Santos recordou que conheceu bem de perto o desembargador quando este exercia as funções de magistrado em São José dos Campos. Relembrou que, em certa ocasião, presenciou um atendimento realizado pelo então juiz a um advogado, que se retirou sorrindo do gabinete, mesmo não tendo conseguido o que queria. Intrigado com a atitude do profissional, indagou a ele qual o motivo do contentamento diante da negativa do pedido. Obteve como resposta: "Eu posso dizer um "não" sorrindo". Esta atitude revelou muito sobre o espírito do homenageado, "sempre procurando dar e extrair o melhor das pessoas", assinalou o pastor.
Com a palavra, o representante do prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, o vereador delegado Carlos Alberto Macedo Bastos, aproveitou as reflexões da homenagem lida pelo desembargador federal Carlos Muta no velório do desembargador e cuja cópia foi distribuída aos presentes para leitura, ressaltou "o quanto é importante falar aos nossos entes queridos que os amamos." Citou o pastor americano Rick Warren, autor do livro "Uma vida com propósitos", uma das leituras preferidas do Dr. Jediael, relatando que a renda obtida com a venda de seus livros costuma ser revertida para 14 milhões de órfãos de pais aidéticos que vivem na África. "Era em ações como esta que estava envolvido o desembargador", observou.
Em seu pronunciamento, a desembargadora federal Marli Ferreira, presidente do Tribunal Regional Federal, visivelmente emocionada, lembrou o versículo bíblico que diz: "A quem muito foi dado, muito será pedido". Em forma de carta, descreveu a capacidade intelectual do amigo e colega, sempre à frente de grandes desafios, como a defesa dos interesses da magistratura perante o Congresso Nacional como membro da Associação Nacional dos Juízes Federais (Ajufe); como integrante dos trabalhos da Corregedoria e como autor de livros de direito previdenciário.
Mencionou ainda suas qualidades pessoais, como a lealdade e a amizade sinceras e a seriedade no trato das causas que julgava. De acordo com a desembargadora, "Jediael trabalhou no sentido de o Tribunal atingir metas, para dar exemplo vivo e ético para o País", envolvendo outros colegas em seus sonhos. Destemido, disse ela, "sabia empregar com diligência os talentos que Deus lhe confiou". Serviu direta e indiretamente a todos com seu trabalho institucional. "Os frutos que colhemos de sua breve existência foram amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei, são frutos do espírito, Daquele que o chamou para a vida eterna com Ele e que o recompensará por todas as suas boas obras."
Por sua vez, Maria Inês dos Santos Miranda, viúva do desembargador, externou seus agradecimentos pelo apoio que vem recebendo de todos e rememorou as qualidades pessoais do marido, "homem de sorriso fácil, homem humilde, homem simples, de que todos gostavam". Entre lágrimas, afirmou que ele tinha grande apreço por todos, não fazia críticas, sempre procurava enxergar o lado bom das pessoas. "Do jeito como ele era aqui, ele era em casa e, com certeza, vai fazer muita falta, como pai, como marido, como vizinho, como amigo, como desembargador, porque ele era um homem muito preocupado com seus jurisdicionados. Ele sabia que existiam muitos ali que dependiam de uma decisão sua para ganhar um salário mínimo. Ele era de Deus e voltou para Deus", resumiu. Encerrou sua manifestação lendo trechos da Bíblia, afirmando que crê na ressurreição e no reencontro com o marido.
Por fim, os presentes ouviram uma reflexão sobre a vida e a morte, elaborada pelo pastor Carlito Machado Paes. O dirigente da Primeira Igreja Batista de São José dos Campos ressaltou que o sepultamento do desembargador Jediael foi um momento de luto e dor, mas não desespero, graças à convicção de paz que ele viveu. "Crer em Deus é muito importante. Quem morre com Jesus no coração, não morre, diz até logo", declarou. Mencionou os quatro tipos de perdas referidas pela Bíblia - materiais, físicas, afetivas e espirituais. "A dimensão espiritual vive eternamente, a vida é só um vestibular", acrescentou. Encerrou sua ministração desejando que "deste lugar (referindo-se ao Tribunal) possa fluir justiça para o nosso país, contanto que a tenhamos com todos com quem nos relacionamos."
Ricardo Aurino dos Santos finalizou a cerimônia citando Rick Warren: "Deus nunca desperdiça uma dor porque ela pode ser um instrumento para aproximar as pessoas".
2.- Juíza federal Leila Paiva, convocada em auxílio à Presidência do TRF3
3.- Vereador Carlos Alberto Macedo Bastos, representante do Prefeito de São José dos Campos
4.- D. Maria Inês dos Santos Miranda, viúva do Desembargador Federal Jediael Galvão Miranda
5.- Pastor Carlito Machado Paes, da Primeira Igreja Batista de São José dos Campos
6.- Desembargadora federal Marli Ferreira, presidente do TRF3
7 e 8.- Desembargadores, juízes e servidores presentes à cerimônia no TRF3
Andrea Moraes
Assessoria de Comunicação

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