Evento dá início ao projeto “Em Tela – Cinema para Pensar o Direito”
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) promoveu, no dia 10 de setembro, roda de conversa sobre o tema "A Justiça nas telas: história, crítica e representação", com participação do presidente da Corte, desembargador federal Luís Antonio Johonsom di Salvo; do cineasta Diogo Gomes dos Santos; do professor Dárcio Rodrigues; do diretor do Centro Cultural de São Paulo, José Mauro Gnaspini; e do servidor Hélio Cesário Martins Júnior.
O encontro, no espaço de exposições do Tribunal, propôs uma reflexão sobre a presença da Justiça no cinema, apresentando diferentes conflitos, personagens e questões que atravessam a história e o universo jurídico.
"Hoje é um dia muito feliz, uma alegria pessoal e institucional. Estamos reunindo pessoas amantes do Direito e do cinema para debater temas que estão imbricados como fenômenos sociais", disse Johonsom di Salvo.
Presidente do TRF3, Johonsom di Salvo, abre o evento (Fotos: Acom/TRF3)
A roda de conversa iniciou o projeto “Em Tela – Cinema para Pensar o Direito”, que se propõe a promover, mensalmente, a exibição de obras com temática jurídica e social, seguida de debates, no espaço de exposições do Tribunal.
O presidente da Corte lembrou que, desde o fim do século XVIII, o cinema se interessa por temas jurídicos com produções como, por exemplo, o documentário de Georges Méliès sobre o caso Dreyfus, na França.
"Os filmes mencionados foram um grande sucesso nas suas respectivas épocas. É isso que a gente pretende com este projeto, instigar o interesse do nosso público para a arte cinematográfica ", observou.
Encontro reuniu magistrados e servidores no térreo do Tribunal
O cineasta, documentarista, produtor e roteirista Diogo Gomes dos Santos participou de produções reconhecidas em festivais nacionais e internacionais, entre elas Muros da Vida, O Dia em Que Olhamos Para o Céu e Marcos, Força de Vontade.
Cineclubista desde a década de 70, ele contou como o assunto despertou seu interesse ainda na juventude. "O cinema é um tipo de atividade artística que não te compromete exatamente com o que está na tela, mas instiga a pensar o seu papel na sociedade. De certa forma, ele traz essa perspectiva porque envolve emoção. Quando olhamos para nós mesmos, caímos na razão. É uma forma que temos de descobrir o mundo e quem somos."
Para Diogo, trazer o assunto ao ambiente jurídico demonstra a sua relevância. "Eu acho que tem uma legião de espectadores que gosta muito de cinema de tribunal, sendo recorrente em qualquer filmografia."
Diogo Gomes dos Santos, Dárcio Rodrigues e Hélio Cesário Martins Júnior em conversa
O professor de Direito da Universidade de São Paulo Dárcio Rodrigues é um entusiasta do cinema e da cultura audiovisual. Desde criança, sempre anota os filmes que assiste, somando quase 9 mil obras. Também é autor do livro “Star Trek: A fascinante saga comentada episódio por episódio”, onde comenta cada um dos episódios da série original dos anos 60.
Em sua exposição, resumiu algumas das realizações que mais chamaram a atenção. "Embora sejam mais frequentes filmes que tratam do Direito Penal, por serem mais dramáticos, existem exemplos de outras questões que não envolvem necessariamente julgamentos ou crimes."
O professor citou O Mercador de Veneza, de William Shakespeare. "É uma das obras mais notáveis sobre o tema, que envolve um julgamento civil a respeito de um contrato. Lá se encontram questões profundas de Direito que ensejam muitas discussões."
O professor de Direito Dárcio Ribeiro é um entusiasta do cinema
O servidor Hélio Martins Júnior trabalha na Assessoria de Comunicação Social do TRF3 e, em paralelo à carreira pública, é diretor e roteirista de cinema. Já lançou dois longas-metragens: Invasão (2014) e Trabalho Sujo (2018). Um terceiro filme será lançado no ano que vem: Acorrentado.
Para ele, quem estuda Direito não deve ver o cinema apenas como entretenimento, mas como um laboratório de análise jurídica, ética e social. "A produção cinematográfica aproxima os estudantes dos conflitos humanos que dão origem às normas e às decisões judiciais, tornando a aprendizagem mais crítica, reflexiva e significativa", frisou.
A roda de conversa foi concluída com a exposição do diretor do Centro Cultural de São Paulo, José Mauro Gnaspini, idealizador e diretor das primeiras onze edições da Virada Cultural de São Paulo.
José Mauro Gnaspini participou do evento
Formado em Direito pela USP, Gnaspini falou sobre sua tese de mestrado na Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP), que teve o título de Di Glauber - O Filme como Funeral Reprodutível.
Sua proposição tratou das falhas processuais que levaram à interdição do curta de Glauber Rocha, a pedido da filha do pintor Di Cavalcanti, Elizabeth.
"Não existiam fundamentos jurídicos para essa interdição e, portanto, o filme poderia ser liberado para exibição", disse.
Magistrados prestigiaram o encontro
Assessoria de Comunicação Social do TRF3
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