Projeto Interprêt conecta magistrados a profissionais forenses qualificados e busca fortalecer a inclusão linguística nos processos judiciais
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie lançaram, nesta terça-feira, 27 de outubro, a plataforma Interprêt, ferramenta desenvolvida para facilitar a localização e a seleção de intérpretes forenses capacitados para atuar em audiências e atos processuais em auxílio a pessoas surdas, indígenas e estrangeiras. A iniciativa é resultado de Acordo de Cooperação Técnica entre as instituições voltado ao desenvolvimento de soluções inovadoras para aprimoramento da prestação jurisdicional.
A plataforma permite a busca de profissionais por pares de idiomas entre 407 línguas cadastradas, incluindo idiomas indígenas, além de reunir informações sobre formação, certificações e experiências dos intérpretes. O sistema também possibilita a notificação automática de profissionais diante de novas demandas, preservando a autonomia dos magistrados na escolha dos auxiliares da Justiça.

Autoridades, professores e estudantes no lançamento do Interprêt (Fotos: Acom/TRF3)
Durante a cerimônia de lançamento, autoridades do Judiciário e da universidade ressaltaram o papel da ferramenta na promoção do acesso à Justiça e na garantia dos direitos de pessoas que não falam português ou possuem dificuldades de comunicação.
O vice-presidente do TRF3, desembargador federal André Nekatschalow, afirmou que o Interprêt representa uma importante convergência entre tecnologia, Direito e valores humanos. Para ele, a plataforma utiliza a inovação como instrumento de inclusão, ampliando a participação das pessoas nos processos judiciais e contribuindo para uma Justiça mais acessível e plural.

Vice-presidente do TRF3, André Nekatschalow: convergência entre tecnologia e Direito
Em participação remota, a presidente da Comissão Permanente de Informática do TRF3, desembargadora federal Daldice Santana, enfatizou que a interpretação forense envolve não apenas a tradução da fala, mas também a compreensão de contextos culturais e sociais. Ela observou que a iniciativa permite que pessoas em situação de vulnerabilidade entendam seus direitos e sejam compreendidas durante o processo judicial.
O reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Marco Tullio de Castro Vasconcelos, destacou a relevância social do projeto e o protagonismo dos estudantes envolvidos em sua construção. Ele ressaltou que a iniciativa reflete a missão da instituição de aproximar ensino, pesquisa e extensão das necessidades concretas da sociedade, produzindo soluções capazes de promover cidadania, inclusão e acesso a direitos.
O chanceler do Mackenzie, reverendo Gildásio Jesus Barbosa dos Reis, afirmou que a tecnologia, quando orientada para o bem comum, contribui para reduzir a exclusão, fortalecer a cidadania e valorizar a dignidade humana.

Reitor do Mackenzie, Marco Tullio de Castro Vasconcelos: relevância social e protagonismo acadêmico
Pesquisadores
A pesquisadora do projeto e chefe de gabinete da reitoria do Mackenzie, Andrea Boari Caraciola, ressaltou que o Interprêt é resultado de anos de pesquisa desenvolvida de forma integrada por docentes, estudantes e pesquisadores das áreas de Direito e Computação. Ela destacou que a ferramenta amplia o acesso à Justiça, especialmente para pessoas que enfrentam barreiras linguísticas, e demonstra o potencial da universidade de transformar conhecimento acadêmico em soluções com impacto social.
Professor líder do projeto, o juiz federal Paulo Cezar Neves Júnior explicou que a iniciativa surgiu da necessidade de enfrentar dificuldades reais de comunicação encontradas no sistema de Justiça. Ele ressaltou a colaboração entre magistrados, professores, pesquisadores e estudantes na construção da plataforma e afirmou que o projeto terá continuidade, com testes, aperfeiçoamentos, ampliação de parcerias e desenvolvimento de diretrizes éticas para a atuação de intérpretes forenses.

Paulo Cezar Neves Júnior: iniciativa surgiu das dificuldades do sistema de Justiça
Pesquisador do projeto, o juiz federal Paulo Marcos Rodrigues de Almeida lembrou que a preocupação com a compreensão dos atos processuais tem raízes históricas nos Julgamentos de Nuremberg, quando se consolidou a necessidade de assegurar o devido processo legal em ambientes multilíngues. Segundo ele, o Interprêt busca garantir que estrangeiros, indígenas e pessoas surdas possam participar efetivamente dos processos judiciais, superando práticas improvisadas e fortalecendo a profissionalização da interpretação forense.
Também pesquisador do projeto, o juiz federal Caio Moysés de Lima destacou que a tecnologia não deve substituir a atuação humana dos intérpretes. Para ele, a interpretação forense exige competências que vão além da tradução literal, envolvendo compreensão cultural, empatia e percepção de elementos que podem influenciar diretamente a produção da prova e a garantia da ampla defesa. Nesse contexto, explicou que a plataforma utiliza a tecnologia para organizar informações, localizar profissionais qualificados e apoiar a atividade jurisdicional sem eliminar o elemento humano.
Representando a Faculdade de Computação e Informática do Mackenzie, o professor Leandro Carlos Fernandes ressaltou o caráter acadêmico e social da iniciativa. Segundo ele, o projeto foi desenvolvido com a participação de professores e estudantes do programa de Residência em Software da universidade, que trabalharam durante dois anos na construção da solução tecnológica voltada a enfrentar uma demanda real do sistema de Justiça.

Interprêt: fruto da cooperação da Justiça Federal com a comunidade acadêmica
De acordo com os organizadores, o Interprêt surgiu da constatação de que o Judiciário brasileiro ainda não dispõe de um cadastro nacional de intérpretes forenses certificados nem de critérios padronizados para sua seleção.
Somente nos últimos dois anos, foram nomeados 2.916 intérpretes na Justiça Federal, sendo 1.824 na 3ª Região (mais de 60%).
A expectativa é que a ferramenta contribua para organizar a atividade, aumentar a qualidade das audiências e, futuramente, seja integrada à Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJ-Br).
Também estiveram presentes no lançamento o presidente do Instituto Presbiteriano Mackenzie, José Paulo Fernandes Júnior; os professores Luiz Guilherme Dellore e Daniela Vieira Cunha; além de estudantes.
Veja mais sobre o projeto aqui.
Assessoria de Comunicação Social do TRF3
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