Projeto Interprêt busca ampliar o acesso à Justiça para os não falantes de português (surdos, indígenas e estrangeiros), com sistema inédito de busca e certificação de profissionais
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie vão lançar, no dia 27 de outubro, a plataforma Interprêt, ferramenta desenvolvida para facilitar a localização e a seleção de intérpretes forenses capacitados no âmbito do Processo Judicial Eletrônico (PJe). A cerimônia vai ocorrer às 9h30, no Auditório João Calvino, no Campus Higienópolis, em São Paulo/SP.
O projeto é fruto do Acordo de Cooperação Técnica, firmado entre o Tribunal e a universidade para fomentar iniciativas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação voltadas ao aprimoramento da prestação jurisdicional.
Concebida por uma equipe multidisciplinar composta por pesquisadores das áreas de Direito e Computação, magistrados e estudantes, a plataforma tem como objetivo garantir assistência linguística qualificada em audiências e atos processuais. A ferramenta busca assegurar o pleno acesso à Justiça para pessoas com deficiência auditiva, estrangeiros e indígenas que dependem de intérpretes para participar dos processos judiciais.
O projeto surgiu a partir da constatação de um desafio enfrentado pelo Judiciário brasileiro: embora a legislação nacional e tratados internacionais assegurem o direito à assistência linguística, não existe atualmente um cadastro nacional de intérpretes forenses certificados, nem programas oficiais de seleção ou critérios padronizados de qualificação profissional específica para a atuação em audiências judiciais.
Apenas nos últimos dois anos, foram nomeados intérpretes forenses em 2.916 processos da Justiça Federal. Desse total, 1.824 eram da 3ª Região, dos quais 552 tramitavam nas varas criminais federais de Guarulhos.
Funcionalidade
A plataforma Interprêt permite localizar profissionais pelo par de idiomas necessário à interpretação em audiência, entre 407 idiomas cadastrados, incluindo diversas línguas indígenas. Também reúne informações sobre qualificações e certificações dos intérpretes (como formação acadêmica em interpretação forense, experiência em audiências anteriores, título de intérprete público etc.), e possibilita que profissionais compatíveis sejam automaticamente notificados sobre novas demandas.
Outra característica do projeto é preservar a autonomia dos magistrados para nomear os auxiliares de sua confiança. A ferramenta organiza e disponibiliza as informações dos profissionais cadastrados, mas não realiza ranqueamentos nem sugere automaticamente um intérprete. A decisão permanece sob responsabilidade do juízo, com registro auditável das escolhas realizadas.
Mais do que simplesmente criar um cadastro, o projeto Interprêt deverá organizar a atividade de interpretação forense, gerar dados para subsidiar políticas judiciárias e ampliar a eficiência na designação de profissionais especializados, aumentando a qualidade das audiências judiciais com não falantes do português. A expectativa é que a solução seja integrada futuramente à Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJ-Br), contribuindo para a modernização dos serviços judiciais e para a promoção de maior inclusão e acesso à Justiça.
Serviço
Data: 27 de outubro de 2026
Horário: 9h30
Local: Auditório João Calvino - Campus Reverendo George e Professora Mary Ann Chamberlain - Higienópolis. Rua da Consolação, 930 – São Paulo/SP.
Transmissão ao vivo: Canal da TV Mackenzie no YouTube.
Assessoria de Comunicação Social do TRF3
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Email: acom@trf3.jus.br