Foi num clima de muita alegria e descontração que os momentos de espera na fila do atendimento processual no Juizado se transformaram em uma gostosa atividade lúdica: em movimentos simples e ritmados, como abrir e fechar as mãos, mexer os braços, o tronco, depois a cabeça e os pés, cerca de 100 pessoas redescobriram o prazer de dançar.
Conduzidos pelo coreógrafo Álvaro Santos, deixaram a inibição de lado e soltaram as articulações ao som do axé e do samba. Meia hora depois, o ar de preocupação, que acompanha quem vem saber como está seu processo, havia desaparecido do rosto dos participantes e dado lugar a um sorriso de satisfação.
"Senti-me muito feliz por saber que ainda sou útil para alguma coisa", disse Ignez Pinto Ferraz, 69, aposentada, com ação de revisão de benefício ganha no Juizado. Ignez não sabia que a atividade da qual participou foi programada em continuação ao Dia do Idoso, comemorado ontem, 27/9.
Odete Gonçalves Carvalho, 65, também aposentada, declara que dança três vezes por semana, "mas não esperava encontrar essa surpresa aqui". Ela acredita que nem todo idoso tem as mesmas oportunidades. "Sou bem tratada, mas porque tenho um bom nível de vida; acho que idosos com menos recursos sofrem mais". Tanto Odete, quanto Ignez, concordam que o tratamento dispensado ao idoso no Juizado é melhor do que em muitos outros lugares.
Pela manhã, Rosely Timoner Glezer, supervisora da Seção de Assistência Médica e Social da Justiça Federal, médica geriatra e do trabalho, proferiu palestra "Envelhecendo com saúde e qualidade de vida". Em sua abordagem, Rosely apontou para o fato de que a população idosa vem crescendo no Brasil e no mundo, em conseqüência da redução dos índices de natalidade e de mortalidade, e também aos avanços da medicina.
Este fato traz uma preocupação adicional para a sociedade, uma vez que, embora o envelhecimento biológico e a aposentadoria tragam ao cidadão a possibilidade de fazer coisas que ele nunca teve tempo para fazer, como viajar, estudar, praticar atividades físicas, é necessário um cuidado constante com a sua saúde física e mental.
A médica apontou dispositivos legais como alguns constantes do Estatuto do Idoso, que garantem a possibilidade de realizar consultas e exames em ambulatórios e postos de saúde públicos gratuitamente, bem como a possibilidade de ter descontos em atividades culturais. Citou, como exemplo, a poetisa Cora Coralina, que lançou seu primeiro livro aos 75 anos e morreu aos 95, escrevendo, destacando a importância do idoso manter-se social e intelectualmente ativo.

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