Em fase experimental, local é destinado aos ciclistas que usam a bicicleta como meio de transporte
A vida agitada das grandes cidades cada vez mais carece de alternativas que busquem melhorar o dia a dia dos cidadãos. O caos do trânsito em uma megalópole como São Paulo, por exemplo, faz com que a qualidade de vida seja bastante prejudicada. Uma das opções encontradas por algumas pessoas para o deslocamento de casa para o trabalho é a utilização de meios de locomoção alternativos como a bicicleta.
Visando atender em parte a demanda de seus funcionários-ciclistas, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) disponibilizou, desde o mês de abril, um bicicletário aos servidores e magistrados para a guarda de suas bicicletas. Eles podem estacionar a sua “magrela”, como é carinhosamente conhecida, em um espaço reservado para dez vagas na garagem do 2º subsolo do prédio-sede do tribunal.
Até o momento, sete servidores estão cadastrados para o uso do bicicletário. Eles estão satisfeitos com a iniciativa e elencam diversos fatores benéficos com a medida. “Excelente iniciativa. O Poder Judiciário e órgãos públicos em geral devem sempre dar o exemplo à população de práticas reconhecidamente benéficas. Além disso, fomenta entre os funcionários bons hábitos que melhoram sua saúde e qualidade de vida”, avalia o assistente técnico Gustavo Rodrigues.
O agente de segurança Fernando Faro também gostou da ideia do TRF3 em criar um bicicletário para funcionários. Ele justifica a iniciativa como necessária, uma vez que nenhum estacionamento da região (da Avenida Paulista, onde está o tribunal) aceita bicicletas com a alegação de que o seguro não cobre danos ou furtos das “magrelas”.
Para fazer jus ao bicicletário, os ciclistas têm que respeitar as orientações traçadas pela Diretoria-Geral (DIRG) como autorização para o uso da garagem, cumprir itens de segurança e outras recomendações repassadas na ocasião do cadastramento. O acesso ao local é monitorado pelo sistema de vídeo e eventuais danos, causados em decorrência de mau uso, ficarão a cargo do seu causador.
A fiscalização e o controle de acesso ao local são de responsabilidade da Divisão de Segurança (DISG). Equipamentos de segurança como capacete e lanternas devem ser utilizados para facilitar o deslocamento dos ciclistas no interior da garagem. O horário de funcionamento do bicicletário é o mesmo do expediente do tribunal, das 9h às 19h, não sendo permitido o pernoite.
Iniciativa
Aliás, a ideia da criação desse espaço partiu dos próprios servidores. Um deles foi o supervisor Angelo Fernando Vaz Rosa. Em 2010, ele fez um pedido de instalação de um bicicletário no TRF3, baseado em legislação municipal que determina estacionamento de bicicletas em edifícios públicos como política de mobilidade pública. Para ele, esse tipo de veículo é uma alternativa aos meios de transporte tradicionais.
“Gasto em média cinquenta minutos no transporte público. De bicicleta, para vir ao TRF, gasto trinta minutos. Para voltar (de bicicleta) para casa, quinze minutos, pois é uma descida. É uma ótima opção de meio transporte para a cidade. Mesmo que um cidadão opte por deixar seu carro em casa, ele encontra dificuldade em utilizar o transporte público, pois a malha metroviária ainda é pequena e o serviço de ônibus ainda é muito deficiente, com longos períodos de espera e excessiva lotação”, argumenta Angelo.
A iniciativa merece elogios também da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade). “A cidade de São Paulo possui as Leis 14.266 e 13.995 que obrigam todos os locais ‘com grande afluxo de pessoas’ a instalar um bicicletário, mas ambas ainda não foram regulamentadas. O fato de um órgão público se dispor a aplicar a lei indica que ele está preocupado com o bem-estar de seus servidores, promovendo a redução do congestionamento e da poluição, em sintonia com os novos paradigmas de sustentabilidade do século XXI”, comenta Sumaya Lima, diretora de Comunicação da Ciclocidade.
Motoristas x ciclistas
Um dos maiores desafios dos ciclistas é a convivência com os motoristas de carros, ônibus e outros veículos. A capital paulista tem 110 km de ciclovias ou vias compartilhadas entre todos eles. A Ciclocidade estima que quinhentas mil pessoas utilizem a bicicleta para deslocamentos nas ruas de São Paulo ao menos uma vez por semana.
A associação acredita que essa tendência está em alta contínua e cita uma pesquisa do Metrô que aponta um crescimento de 176% de viagens de bicicletas nos últimos dez anos. O índice é superior aos 31% dos registrados no deslocamento de trem-metrô e 13% no de automóveis, segundo o mesmo levantamento.
Apesar de ser considerada meio de transporte pela legislação de trânsito, a convivência da bicicleta com os outros veículos não é tarefa fácil. O servidor-ciclista Edson Nakasone acha muito complicada esta relação, mas tem esperança que iniciativas como a do TRF3 mude a situação.
O assistente técnico José Antonio de Andrade Cesar também vê esta situação como complexa e tensa. “Sou ciclista desde os três anos de idade e utilizo as vias públicas desde os seis anos. Tento me antecipar às reações dos motoristas e nunca ultrapasso um ônibus ou caminhão, principalmente, pela direita. Tem que ter paciência, evitar vias de tráfego intenso como Avenida Paulista e a 23 de Maio, porque existem sempre vias paralelas com menor fluxo”, aconselha.
Segurança
Os itens de segurança são imprescindíveis aos ciclistas, principalmente, aos que utilizam a bicicleta como meio de transporte. José Antonio procura se cercar da maior proteção possível. “Utilizo tênis sem cadarço, camiseta, bermuda e calça própria para o ciclismo. São indispensáveis também o uso de capacete de boa qualidade com luz sinalizadora, óculos de proteção e bicicleta equipada com farol, luz traseira e espelho retrovisor”, orienta.
A Ciclocidade traz em sua página na internet uma série de dicas, conselhos e orientações importantes aos ciclistas e motoristas para um convívio com segurança e respeito. O site é http://www.ciclocidade.org.br/ciclistaurbano.
Foto: João Fábio Kairuz / ACOM / TRF3 |
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1 – Gustavo, Fernando, Edson e José Antonio: servidores-ciclistas no bicicletário 2 - José Antonio e Gustavo usam a “bike” como meio de transporte 3 – Servidores-ciclistas contentes com a iniciativa que os beneficiou |
Edmilson Gomes
Assessoria de Comunicação

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Assessoria de Comunicação Social do TRF3
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