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15 / abril / 2026
Presidente do TRF3 divulga nota oficial em resposta a editorial do Estado de S. Paulo de 13 de abril

No último dia 13 de abril de 2026, a sociedade despertou encontrando no centenário e justamente prestigiado jornal O ESTADO DE S. PAULO um editorial intitulado “Judiciário Insaciável”, título provocativo para um texto repleto de assertivas e acusações direcionadas, sem rodeios, à Magistratura, tratando-a como um lugar onde imperam “chantagem”, “corrupção”, apropriação de recursos públicos acrescida de violação da Constituição, tudo para fins de enriquecimento ilícito de seus membros. Falou-se de uma instituição formada por “insaciáveis”, cujo desempenho profissional tem “um preço”; o jornal retrata a sociedade civil que, segundo o olhar distópico do(as) autor(as) do texto, é impiedosamente “saqueada” pelos magistrados e membros do Ministério Público, agentes públicos que o jornal irmana num contubérnio de “corrupção institucionalizada”.

O tradicional órgão de imprensa paulista – fundado em 4 de maio de 1875 por Campos Salles e Américo Brasiliense – hoje vê na Magistratura e no Ministério Público um valhacouto de vampiros a se saciarem com o sangue vital dos recursos públicos.

E por que assim procede o jornal, que já prestou tantos e tão profícuos serviços à Democracia? Por que agora sataniza magistrados e o “parquet”?

Porque juízes, membros do Ministério Público e de outras carreiras jurídicas de Estado – que o jornal sequer menciona – acham-se em momento de discutir sua pauta remuneratória, que está “sub judice” no STF e passou a ser regulamentada pela recente Resolução nº 14/CNJ, documento jurídico-administrativo o qual está a depender de interpretações porque, como toda obra humana, é lacunosa e falha. A Magistratura e o “parquet” têm a sua.

Nós, magistrados, aceitamos e ouvimos a crítica social quando feita com palavras tecidas a fio de ouro inspiradas por corações puros, ditadas com a boa-fé própria dos que almejam o aperfeiçoamento dos Poderes e das Instituições, ainda que tais palavras sejam contundentes e ásperas. Essa crítica, lícita e constitucionalmente admitida, impulsiona nosso (necessário) aperfeiçoamento, não gera qualquer medo ou repulsa nos juízes e membros do Ministério Público. Antes, permite a correção de erros e rumos.

Porém, não podemos aceitar passivamente insultos que vão além do palavreado forte e emocional.

As expressões usadas com evidente infelicidade no texto jornalístico tratam os juízes e membros do Ministério Público como facínoras, bucaneiros, corruptos, vendilhões de seus atos de ofício. Isso é inaceitável, ainda mais que o texto não traz um único ato concreto – ou o nome de alguém – que possa receber as duras aleivosias assacadas.

O único “crime” objetivamente atribuído a nossa classe e ao Ministério Público é tratar da pauta remuneratória, que entendem passível de aperfeiçoamento, como, aliás, fazem todos os assalariados. Inclusive os jornalistas, como aqueles vinculados à estatal EBC que em 2024 fizeram greve em favor de sua própria pauta remuneratória e de sua carreira. E fizeram a defesa dos seus pretensos direitos aqueles que aderiram à paralisação em setembro de 2025. Aliás, em maio de 1979 já existiu uma greve geral de jornalistas que durou oito dias, um protesto ruidoso contra os baixos salários que obrigavam os repórteres de jornais a aceitar um suborno carinhosamente chamado, dentro das redações, de “jabaculê”. Isso é a história falando.

Como presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que congrega dois Estados da federação e tem a seu cargo quase 50 milhões de jurisdicionados, é meu dever repudiar com veemência o texto jornalístico profunda e indiscriminadamente injusto, implausível e ofensivo. E também convidar os jornalistas de todos os órgãos de comunicação comprometidos com a verdade, a agendarem visitas a esta Corte e a nossas Varas e Juizados, para conhecerem a vida real do Judiciário, aquilo que existe como verdade substancial. Serão bem recebidos, com a cortesia que sempre dedicamos aos amigos.

Luís Antonio Johonsom di Salvo
Presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região 

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Assessoria de Comunicação Social do TRF3

Email: acom@trf3.jus.br



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