Durante dois dias, mutirão devolveu dignidade e direitos a quem necessita
O município de Santos, localizado no litoral de São Paulo, recebeu, nos dias 19 e 20 de maio, a segunda edição do Pop Rua Jud. O mutirão prestou serviços de saúde, cidadania e assistência a 923 pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social. A iniciativa ocorreu no Espaço Cultural e Esportivo da Vila Criativa, no bairro Vila Nova.

Triagem no Pop Rua Jud Santos 2 (Fotos: Acom/TRF3)
A ação foi coordenada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) e pela Subseção Judiciária de Santos, em parceria com a Prefeitura, instituições públicas e organizações não governamentais.
A juíza federal coordenadora-geral do Pop Rua Jud, Flávia Serizawa e Silva, agradeceu a todos os envolvidos no projeto. A magistrada observou que a grande demanda mostra a necessidade de eventos do tipo.
“Esse trabalho é extremamente gratificante e lembra qual é o propósito final do poder judiciário, que é oferecer acesso à justiça, à população, com possibilidade de transformação social.”

Abertura reuniu representantes de órgãos públicos e instituições
Segundo a juíza federal Alessandra Nuyens Aguiar Aranha, a justiça tem várias faces e “aqui ela se apresenta de forma mais inovadora, presente e participativa na sociedade.”
Para a prefeita em exercício de Santos, Audrey Kleys, o mutirão vem somar forças com as ações realizadas no município.
“A persistência em realizar a segunda atividade surge dos excelentes resultados que tivemos na primeira edição.”

Juíza federal Flávia Serizawa e Silva
Vozes da rua
Kamila, 41 anos, é uma mulher trans e passou por momentos muito difíceis ao longo da vida. Sua infância foi vivida na zona rural de Juiz de Fora (MG). Desde os nove anos, trabalhava com os pais, o que só a permitiu concluir a quarta série do ensino fundamental. Aos 14 anos, após a separação dos pais, foi rejeitada por conta de sua orientação sexual. “Um dia cansei e saí de casa com uma sacola e o documento”, disse.

Atendimento médico é realizado durante a ação
Anos depois, ela tentou restabelecer contatos com a família por meio de uma irmã e do cunhado, que moravam no Rio de Janeiro e eram donos de um estabelecimento comercial. Camila pediu uma oportunidade de trabalho para recomeçar a vida, mas novamente foi rejeitada.
Sua jornada a levou a viver em situação de rua em diversas cidades. Chegou a Santos há seis dias. Ela compareceu ao evento para solicitar o BPC-Loas, devido às constantes crises epilépticas. “Também quero arrumar um cantinho para mim. Já são muitos anos na rua”, declarou.

Kamila passou por momentos difíceis durante a vida
Iago Alexandre Santos, 28 anos, foi ao Pop Rua Jud para tirar a segunda via de documentos e realizar exames médicos. “Aqui é muito fácil fazer e mais prático. Facilita muito para a gente que é de rua.”
Natural de Sergipe, mudou-se ainda criança para Santos com a família. Atualmente está afastado dos pais. “Eles estão bem, mas eu vivo só.”

Iago Alexandre Santos conseguiu tirar a segunda via de documentos
Vidas transformadas
Carlos Souza Santos, 65 anos, morou em um educandário quando criança. Por problemas de comportamento, foi expulso e voltou a viver com a mãe e o padrasto. A convivência era difícil e, aos 13 anos, saiu de casa e nunca mais retornou.
Ele sobrevive como carrinheiro, e o pouco que ganha vai para a alimentação. “Tenho que escolher entre pagar aluguel ou me alimentar. Fico na rua para conseguir comer.”

Carlos Souza Santos sobrevive como carrinheiro
No mutirão, Carlos compareceu com a esperança de conseguir o BPC-Loas e teve êxito. “Agora vou poder alugar um quarto.”
Anderson Passareli, 47 anos, tem uma deficiência na mão esquerda. Ele esteve no Pop Rua Jud em busca do BPC-Loas e conseguiu.
“Foi uma grande oportunidade que Deus me deu, e sou muito grato. Vou alugar um quarto. Quero comprar algo para revender e ganhar um dinheirinho extra para me manter.”

Anderson Passareli conseguiu o BPC-Loas
José Edivaldo Santana, 65 anos, é natural da Bahia. Atualmente, mora em um quarto cedido pela sobrinha. No evento, obteve o Benefício de Prestação Continuada. “Vai me ajudar porque eu não consigo trabalhar mais. Vivo doente, tomo bastante remédio.”

José Edivaldo Santana teve reconhecido o direito ao BPC-Loas
Flávio da Silva Góis, 83 anos, nasceu em Alagoas e compareceu ao mutirão acompanhado da prima, Ana Rosa, com quem reside. A intenção era obter o BPC-Loas. Era a primeira tentativa.
Segundo a parente, eles não sabiam que o idoso tinha direito, uma vez que nunca trabalhou com carteira assinada. O resultado foi positivo. “Agora ele pode comprar roupas, remédios e fraldas”, disse Ana Rosa.

Flávio da Silva Góis também conseguiu o BPC-Loas
O projeto
A primeira edição do Pop Rua Jud Santos foi realizada em 2023 e atendeu mais de mil pessoas. O mutirão integra as políticas públicas judiciais promovidas pelo Comitê Regional Pop Rua Jud do Estado de São Paulo, instituído pela Resolução Conjunta nº 4/2023. A ação também atende à Resolução CNJ nº 425/2021, que criou a Política Nacional Judicial de Atenção a Pessoas em Situação de Rua e suas interseccionalidades.
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