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19 / agosto / 2026
TRF3 realiza evento para divulgar HQ “Falsas Promessas”, de conscientização contra o tráfico de pessoas 

Gibi poderá ser distribuído a bibliotecas e pontos de leitura da rede municipal da capital paulista 

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) realizou no dia 17 de agosto o lançamento da HQ “Falsas promessas”, de conscientização contra o tráfico de pessoas e a exploração do trabalho escravo. O gibi é um projeto da Assessoria de Comunicação Social do TRF3 (ACOM), da Comissão de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo da Justiça Federal da 3ª Região (Cetrapte-JF3R) e da Presidência do TRF3; e contou com o apoio do Conselho da Justiça Federal para a impressão de exemplares. 


Duas das três histórias do gibi estão expostas em banners no hall do edifício-sede da Corte 

O evento, no hall do edifício-sede da Corte, contou com a presença do presidente do TRF3, desembargador federal Luís Antonio Johonsom di Salvo, da desembargadora federal Louise Filgueiras, integrante da Cetrapte-JF3R, e da desembargadora Flora Maria Nesi Tossi Silva, presidente da Comissão Judiciária Interdisciplinar sobre Tráfico de Pessoas do Tribunal de Justiça de São Paulo, além de outras autoridades e servidores. 

"Este espaço tem sido usado para eventos culturais e de confraternização, mas também para eventos que desejaríamos que não acontecessem. Este é um deles, pois trata de um crime abominável, perpetrado contra o ser humano. Homens, mulheres e crianças são colhidos por mãos criminosas, com objetivos inconfessáveis”, afirmou Johonsom di Salvo.  

Louise Filgueiras destacou a importância de iniciativas de conscientização contra o tráfico de pessoas e a exploração do trabalho escravo, como a HQ “Falsas Promessas”.  

“Levar esse conhecimento, de forma acessível, por meio de uma linguagem capaz de alcançar diferentes públicos, significa atuar no momento mais importante: antes que o crime aconteça. É preciso garantir que uma pessoa que recebe uma proposta aparentemente irrecusável tenha informação suficiente para reconhecer os sinais de perigo e as situações suspeitas”, defendeu. 



A desembargadora Louise Filgueiras falou sobre a importância do combate ao tráfico de pessoas em entrevista à TV Record 

Além de trechos de "Falsas Promessas”, com a exibição de duas das três histórias presentes no gibi, o público também pôde conferir a exposição “Tráfico de pessoas: um crime que você não vê”, que voltou ao TRF3 para uma segunda temporada, até o dia 4 de setembro. 

Organizada em parceria com a Comissão de Gestão da Memória da Justiça Federal da 3ª Região, a mostra reúne informações úteis como conceitos de tráfico de pessoas, meios de aliciamento recorrentes, finalidades de exploração, perfil das vítimas, principais países de destino e papel da internet, além de notícias sobre vítimas do delito. Situações tipicamente suspeitas são apresentadas em uma projeção interativa. 


O presidente do TRF3, desembargador federal Johonsom di Salvo, discursou no evento de lançamento da HQ 

Formato acessível ajuda a criar conexão com o universo do leitor 

A publicação em quadrinhos, inédita, nasceu de um roteiro original, inspirado em relatos reais. Ela conta três histórias, cada uma com um personagem de perfil diferente. Todos se deixaram seduzir por supostas propostas de trabalho que pareciam irrecusáveis, mas escondiam armadilhas.   

O assunto sempre esteve no radar da ACOM, que costuma desenvolver campanhas e ações de prevenção para o Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, em 30 de julho. “Em anos anteriores, o TRF3 trouxe iniciativas como vídeos, palestras e a exposição. Desta vez, nossa equipe quis fazer algo diferente, e assim surgiu a ideia de criar uma história em quadrinhos”, conta o servidor Hélio Cesário Martins Jr., responsável pela elaboração do roteiro de “Falsas Promessas”. 



Gibi conta as histórias dos personagens fictícios Henrique, Patrícia e Célia, inspirados em casos reais 

Por trás da escolha desse formato, está o desafio de comunicar, em linguagem simples e de forma acessível, um assunto grave e complexo, sem comprometer a seriedade que deve pautar a discussão. Os quadrinhos trazem a possibilidade de trabalhar a informação por meio da narrativa, criando uma conexão com o universo dos leitores.  

“Em vez de simplesmente apresentar conceitos, dados ou recomendações, podemos acompanhar personagens, conhecer suas expectativas e perceber como certas situações aos poucos se transformam”, explica o servidor Wladimir Wagner Rodrigues, que produziu as ilustrações do gibi. “Queríamos que o leitor pensasse: ‘isso poderia acontecer comigo ou com alguém que eu conheço’. A HQ transforma um tema que parece distante em uma experiência narrativa próxima do cotidiano.” 



Os servidores Wladimir Rodrigues e Hélio Martins, da ACOM, ao lado da desembargadora federal Louise Filgueiras 

A ideia do projeto foi apresentada na ACOM em maio de 2026. Com a aprovação do roteiro pela Cetrapte-JF3R, as imagens foram produzidas em junho. O uso de inteligência artificial nessa etapa permitiu que o projeto ganhasse corpo em tempo hábil para ser lançado no dia 30 de julho, aproveitando a efeméride internacional. 

“Houve um trabalho conjunto entre roteiro, direção artística, revisão, comunicação e consultoria sobre o tema. Embora o leitor receba uma narrativa fluida, existe uma série de decisões editoriais e visuais por trás de cada página”, ressalta Rodrigues. 

As três histórias contadas em “Falsas Promessas” foram inspiradas em eventos reais. Os personagens Henrique, Patrícia e Célia não correspondem a três vítimas específicas, mas as circunstâncias vividas por eles poderiam acontecer com diferentes pessoas. Eles receberam propostas convincentes, como muitas das que iniciam situações de exploração da vida real. 

"Não existe um único perfil de vítima ou uma única forma de aliciamento. Mudam os personagens, seus desejos, suas vulnerabilidades e as estratégias utilizadas para convencê-los, mas há um elemento comum: alguém se aproveita de expectativas legítimas, como trabalhar, melhorar de vida ou encontrar uma oportunidade, para conduzir essas pessoas a uma situação de exploração”, analisa Rodrigues. 

Gibi pode ganhar espaço em bibliotecas públicas da capital paulista 

O projeto “Falsas Promessas” vem recebendo uma acolhida muito positiva dentro da Justiça Federal da 3ª Região. Mas é importante que os quadrinhos consigam ultrapassar os espaços institucionais da JF3R e alcancem pessoas que, de outro modo, talvez nunca procurassem informações sobre tráfico de pessoas de forma espontânea.  

Em condições ideais, a HQ poderá circular em escolas, universidades, instituições públicas, organizações sociais e espaços de atendimento à população. A disponibilização do material por meio digital ajuda a ampliar as possibilidades de alcance da obra.  

“Gostaríamos que ela chegasse ao maior número possível de pessoas, especialmente os jovens. Mais que divulgar a HQ, nosso objetivo é alertar a sociedade, pois qualquer pessoa pode acabar se tornando vítima desses crimes”, reflete Martins. 

Um passo importante nesse sentido será a distribuição do material a bibliotecas públicas da cidade de São Paulo. Alessandra Atti, supervisora de desenvolvimento de coleções e tratamento de informação da Coordenadoria de Bibliotecas Municipais de São Paulo, esteve presente no evento e mostrou interesse no projeto.  



Alessandra Atti quer levar exemplares do gibi a bibliotecas municipais da capital 

A ideia, inicialmente, é levar “Falsas Promessas” a 54 bibliotecas de bairro, ao Centro Cultural São Paulo, à Biblioteca Mário de Andrade e a outros 30 pontos, como os bosques de leitura instalados em parques municipais. O acervo de cada um desses espaços receberá dois exemplares do gibi, permitindo o empréstimo circulante aos usuários. 

“Os quadrinhos são um formato já enraizado nas bibliotecas. ‘Falsas Promessas’ traz informação muito importante para a população e a possibilidade de ampliar conhecimento, fomentando discussões sobre o tema do tráfico de pessoas”, avalia Atti.  

Ela lembra que alguns desses pontos de leitura – como a Biblioteca Adelpha Figueiredo, no Pari, cuja reforma está em fase final – têm, entre seus frequentadores, populações de imigrantes que trabalham em oficinas do entorno, para os quais o material poderá ser especialmente útil.  

Autoridades prestigiaram o evento 

Também estiveram presentes no lançamento de “Falsas Promessas” a procuradora regional da República Cristina Marelim Vianna, procuradora-chefe da Procuradoria Regional da República da 3ª Região; a procuradora regional da República Stella Fátima Scampnini, coordenadora nacional da unidade de enfrentamento ao tráfico internacional de pessoas do MPF; o delegado de Polícia Federal Rodrigo Luis Sanfurgo de Carvalho, superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo; a procuradora do Trabalho Vera Lúcia Carlos, chefe do Ministério Público do Trabalho em São Paulo; André Lemos Jorge, secretário de Justiça do Município de São Paulo, representando a Prefeitura do Município de São Paulo; Giuliano Campos de Farias, chefe da Divisão de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, representando a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo; a promotora de Justiça Vanessa Therezinha Sousa de Almeida, coordenadora do Núcleo de Gênero do Centro de Apoio Operacional Criminal, representando a Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de São Paulo; o inspetor João Paulo Guilherme dos Santos, comandante superintendente de Operações Adjunto, representando o Comando-Geral da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo; e Silvano Freire Oliveira, diretor do Departamento da Secretaria de Gestão Administrativa e de Pessoas (DGAP), representando a Prefeitura do Município de Campinas. 

Assessoria de Comunicação Social do TRF3 

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