PALESTRA NO TRF3 DISCUTE O PAPEL DO JORNALISMO INVESTIGATIVO
Os jornalistas Paulo Henrique Amorim e Caco Barcellos trouxeram ao debate questões como ética e censura
Hoje, 1º de setembro, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região deu continuidade ao Seminário “Poder Judiciário e Imprensa: Um Diálogo Aberto” com a palestra “O Papel da Imprensa Investigativa”, que trouxe ao debate os jornalistas Caco Barcellos e Paulo Henrique Amorim e o desembargador federal Vladimir Passos de Freitas, auxiliar do CNJ.
O evento é realizado pela Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região e coordenado pela desembargadora federal Salette Nascimento, diretora da EMAG, e pelo desembargador federal Fausto De Sanctis.
Segundo Paulo Henrique Amorim, imprensa investigativa é um pleonasmo: “A imprensa deve perseguir ser objetiva, precisa e tanto quanto possível isenta. Deve sempre contestar, questionar e desconfiar das autoridades constituídas”. Afirmou ainda que a imprensa tem compromisso com a sociedade e, no caso do Brasil, com os princípios democráticos e republicanos. “O bom repórter é aquele que tenta com seu trabalho colaborar para que as instituições melhorem e, com isso, diminuir o grau de corrupção e ineficiência na atividade pública na comunidade a qual pertence”, defende Amorim.
Já Caco Barcellos procurou diferenciar jornalismo investigativo de jornalismo declaratório: “É uma irresponsabilidade você contar uma história sem saber se ela é verdadeira ou não, com base apenas em meia dúzia de minutos gravados com uma determinada fonte”. Para ele, no jornalismo investigativo não há espaço pra polêmica: “Você tem que provar que cada palavra dita por uma fonte é verdadeira antes de torná-la pública”. Sobre o furo jornalístico, Caco Barcellos opinou: “Em vez de contar mais rápido, eu prefiro contar melhor”.
Os jornalistas debateram ainda a questão da ética, do jornalismo pela internet e da censura por via judicial. Paulo Henrique Amorim, que declarou ter sido acionado em 37 ações judiciais, afirma: “Estamos vivendo uma nova fase de censura no Brasil. E muitas vezes o sistema judicial brasileiro não está preparado para administrar a questão da liberdade de expressão”. Segundo ele, a liberdade de expressão deve ser absoluta: “Há exceções, mas essas são tão poucas que não precisam ser sequer mencionadas”, brinca Amorim.
O desembargador Vladimir Passos de Freitas trouxe ao debate o olhar do Poder Judiciário às questões e destacou que os juízes devem colaborar com a imprensa: “Falar só nos autos é uma visão do passado. Hoje o juiz deve, com discrição, prestar informações e ajudar os profissionais da imprensa que o procuram”. Ele explicou ainda algumas maneiras de como os magistrados devem agir nesse relacionamento: “O juiz não pode adiantar qualquer julgamento, mas deve atender a imprensa e, na medida do possível, esclarecer dúvidas, fornecer cópia de decisões, procurar a assessoria de imprensa do seu tribunal quando tiver dificuldades, falar de uma maneira clara, simples e em uma linguagem de fácil compreensão”.
Para o desembargador federal Fausto De Sanctis, a palestra foi enriquecedora para todos: “As discussões foram maravilhosas, explicativas, consistentes e ao mesmo tempo trataram com muita sabedoria e inteligência temas polêmicos. Cada um a seu modo mostrou que, apesar de existir uma imprensa que envereda para um lado não-ético, existe uma imprensa ética e ela deve ser prestigiada. Até porque seu papel é fundamental para um estado de direito, num regime democrático”.
Confira as próximas palestras:
8 de setembro – Ética da Informação e Liberdade de Expressão – 10 às 12 horas
Palestrantes: jornalista Caio Túlio Costa e o advogado Ives Gandra Martins
16 de setembro – A Relação entre o Judiciário e a Imprensa – 10 às 12 horas
Palestrantes: jornalista William Waack e o desembargador federal Fausto De Sanctis
23 de setembro – Comunicação na Era Digital Wikileaks - Privacidade e Liberdade – 10 às 12 horas
Palestrantes: jornalista Marcelo Tas, ministra Carmem Lúcia, do STF, e o procurador da República, Luiz Fernando Gaspar Costa
Ana Carolina Minorello
Assessoria de Comunicação
Hoje, 1º de setembro, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região deu continuidade ao Seminário “Poder Judiciário e Imprensa: Um Diálogo Aberto” com a palestra “O Papel da Imprensa Investigativa”, que trouxe ao debate os jornalistas Caco Barcellos e Paulo Henrique Amorim e o desembargador federal Vladimir Passos de Freitas, auxiliar do CNJ.
O evento é realizado pela Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região e coordenado pela desembargadora federal Salette Nascimento, diretora da EMAG, e pelo desembargador federal Fausto De Sanctis.
Segundo Paulo Henrique Amorim, imprensa investigativa é um pleonasmo: “A imprensa deve perseguir ser objetiva, precisa e tanto quanto possível isenta. Deve sempre contestar, questionar e desconfiar das autoridades constituídas”. Afirmou ainda que a imprensa tem compromisso com a sociedade e, no caso do Brasil, com os princípios democráticos e republicanos. “O bom repórter é aquele que tenta com seu trabalho colaborar para que as instituições melhorem e, com isso, diminuir o grau de corrupção e ineficiência na atividade pública na comunidade a qual pertence”, defende Amorim.
Já Caco Barcellos procurou diferenciar jornalismo investigativo de jornalismo declaratório: “É uma irresponsabilidade você contar uma história sem saber se ela é verdadeira ou não, com base apenas em meia dúzia de minutos gravados com uma determinada fonte”. Para ele, no jornalismo investigativo não há espaço pra polêmica: “Você tem que provar que cada palavra dita por uma fonte é verdadeira antes de torná-la pública”. Sobre o furo jornalístico, Caco Barcellos opinou: “Em vez de contar mais rápido, eu prefiro contar melhor”.
Os jornalistas debateram ainda a questão da ética, do jornalismo pela internet e da censura por via judicial. Paulo Henrique Amorim, que declarou ter sido acionado em 37 ações judiciais, afirma: “Estamos vivendo uma nova fase de censura no Brasil. E muitas vezes o sistema judicial brasileiro não está preparado para administrar a questão da liberdade de expressão”. Segundo ele, a liberdade de expressão deve ser absoluta: “Há exceções, mas essas são tão poucas que não precisam ser sequer mencionadas”, brinca Amorim.
O desembargador Vladimir Passos de Freitas trouxe ao debate o olhar do Poder Judiciário às questões e destacou que os juízes devem colaborar com a imprensa: “Falar só nos autos é uma visão do passado. Hoje o juiz deve, com discrição, prestar informações e ajudar os profissionais da imprensa que o procuram”. Ele explicou ainda algumas maneiras de como os magistrados devem agir nesse relacionamento: “O juiz não pode adiantar qualquer julgamento, mas deve atender a imprensa e, na medida do possível, esclarecer dúvidas, fornecer cópia de decisões, procurar a assessoria de imprensa do seu tribunal quando tiver dificuldades, falar de uma maneira clara, simples e em uma linguagem de fácil compreensão”.
Para o desembargador federal Fausto De Sanctis, a palestra foi enriquecedora para todos: “As discussões foram maravilhosas, explicativas, consistentes e ao mesmo tempo trataram com muita sabedoria e inteligência temas polêmicos. Cada um a seu modo mostrou que, apesar de existir uma imprensa que envereda para um lado não-ético, existe uma imprensa ética e ela deve ser prestigiada. Até porque seu papel é fundamental para um estado de direito, num regime democrático”.
Confira as próximas palestras:
8 de setembro – Ética da Informação e Liberdade de Expressão – 10 às 12 horas
Palestrantes: jornalista Caio Túlio Costa e o advogado Ives Gandra Martins
16 de setembro – A Relação entre o Judiciário e a Imprensa – 10 às 12 horas
Palestrantes: jornalista William Waack e o desembargador federal Fausto De Sanctis
23 de setembro – Comunicação na Era Digital Wikileaks - Privacidade e Liberdade – 10 às 12 horas
Palestrantes: jornalista Marcelo Tas, ministra Carmem Lúcia, do STF, e o procurador da República, Luiz Fernando Gaspar Costa
Fotos: Wellington Campos/ ACOM/ TRF3 |
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Durante a palestra "O Papel da Imprensa Investigativa”, os jornalistas Caco Barcellos e Paulo Henrique Amorim e o desembargador federal Vladimir Passos de Freitas discutiram questões como ética e censura. |
Ana Carolina Minorello
Assessoria de Comunicação

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Assessoria de Comunicação Social do TRF3
Email: acom@trf3.jus.br
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