“Pop Rua Jud Campinas 2” ofereceu mais de 40 serviços a pessoas em situação de rua
Regularizar documentos, requerer benefício assistencial e previdenciário, tomar vacina, receber alimentação e roupas, ter tratamento digno e humanizado. Com esses objetivos, cerca de 900 pessoas em situação de rua procuraram, nos dias 1º e 2 de abril, os serviços da segunda edição do projeto “Pop Rua Jud” em Campinas/SP.
A ação, coordenada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) e pela 5ª Subseção Judiciária do Estado de São Paulo, com apoio da Prefeitura de Campinas, contou com a participação de instituições públicas, organizações não governamentais e prestou mais de 40 serviços de cidadania e justiça a pessoas em situação de rua. O evento foi realizado na Praça Visconde de Indaiatuba, mais conhecida como Largo do Rosário, no centro do munícipio.
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Barraca da triagem para atender aos cidadãos em situação de rua (Fotos: Acom/TRF3)
Realizado pela segunda vez na cidade, o mutirão correspondeu às expectativas dos organizadores. Entre as iniciativas promovidas, houve a distribuição de uma tonelada de roupa doada pela Receita Federal.
“Praticamente atingimos nossos objetivos de mil atendimentos nos dois dias. Conseguimos reunir 40 instituições do sistema de Justiça, cidadania e saúde”, comemorou o diretor da Subseção, juiz federal Raul Mariano Junior.
Para o juiz Renato Câmara Nigro, titular 3ª da Vara-Gabinete do Juizado Especial Federal (JEF) e um dos coordenadores da ação, o “Pop Rua Jud Campinas 2” foi um sucesso, uma vez que focou exclusivamente na população em condição de vulnerabilidade, crescente nas ruas do município.
“O mutirão baseou-se em três eixos de atendimento. O primeiro de cidadania, que é a questão documental (RG, CPF, carteira de trabalho, título eleitoral). O segundo eixo foi o acesso à Justiça (Justiça Federal, Estadual, Eleitoral e do Trabalho, Ministério Público, defensorias, procuradorias). E o terceiro em relação à assistência social e saúde (vacinação, alimentação, roupas)”, explicou.
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Juiz federal Renato Câmara Nigro
Casos
Reunir vários órgãos no mesmo espaço possibilitou a concessão judicial de benefícios assistenciais, emissão de documentos e atualização de Cadastro Único (CadÚnico), entre outros.

Pessoas em situação de rua retiram roupas doadas pela Receita Federal
Larissa Cristina Jesualdo aproveitou o mutirão para obter o título de eleitor, o documento de identidade (RG) e regularizar o Cadastro de Pessoa Física (CPF). Também recebeu roupas e alimentação. Na sequência, realizou perícia judicial para requerer o auxílio-doença. Ela ficou satisfeita com o carinho e respeito com que foi tratada.
“Eu trabalhava com produção de embalagens e sofri um acidente há três meses. Fiquei em situação de rua e dei entrada no INSS, mas não obtive resposta. Aqui no Pop Rua consegui fazer perícia médica para receber o auxílio”, agradeceu.

Larissa Cristina Jesualdo fez perícia para obtenção do auxílio-doença
Silvana Benedita Cardoso Ferraz passou a viver na rua há três meses. Já trabalhou em fábrica de tecelagem, como atendente em padaria, faxineira e doméstica. Foi ao “Pop Rua” porque necessitava de perícia médica sobre a saúde mental, para requerer o Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência.
O laudo da perícia apontou como temporariamente incapaz para o desenvolvimento de atividades laborais.
“Recebi diversos serviços médicos, incluindo exame de sangue e medição de pressão. Ainda tive direito à alimentação”, relatou.
Carlos Chagas Aguila perdeu o emprego e ficou em situação de rua. Disse ter trabalhado como garçom, cozinheiro e auxiliar de enfermagem. No mutirão, obteve a concessão do Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência, homologado pela Justiça Federal.
“Estou doente e hoje vivo na calçada. Fiz a solicitação ao INSS. Alegaram que eu precisava de curatela, mas não tenho família. A Defensoria Pública da União me auxiliou para obter o benefício. O atendimento do mutirão foi muito bom e me ajudaram no que podiam”, agradeceu.

Carlos Chagas recebeu benefício assistencial
Atendimento humanizado
As pessoas atendidas no “Pop Rua Jud Campinas 2” agradeceram a maneira com que foram recebidas, com respeito, cortesia, eficiência e segurança. Nem mesmo o sol forte prejudicou os trabalhos.
A ação de cidadania chegou a Abilval Garcia de Freitas, que há sete meses está em situação de rua, mas à noite vai para uma casa de acolhimento. Ele procurou os serviços para regularizar a situação na Receita Federal, pegar roupas e kit de higiene pessoal. Também consegui sacar saldo do FTGS.
“O dinheiro será usado para comprar um celular e contribuir com as despesas semanais. O mutirão tem um serviço social muito bom para nós”, agradeceu.

Abilval Garcia de Freitas aproveitou o mutirão para resgatar saldo do FGTS
Anderson Raimundo Lopes da Silva aproveitou o mutirão para solicitar a segunda via do RG e regularizar o título de eleitor, que estava com erro no nome do pai. Ele está há três meses vivendo nas ruas, desde que perdeu o emprego.
“Minha família é do Rio Grande do Norte e no momento estou em situação de rua. Pretendo voltar a trabalhar na área de logística, após regularizar os documentos. O atendimento aqui foi ótimo, com muita educação.”

Força-tarefa incluiu a distribuição de alimentos
Parcerias
Além do TRF3, da Justiça Federal de São Paulo e da Prefeitura de Campinas, participaram do mutirão o SOS Rua; TRT15; Ministério do Trabalho e Emprego; Tribunal Regional Eleitoral; INSS; MPU; AGU/Procuradoria Regional Federal; Tribunal de Justiça Estado SP; Ministério Público do Estado de São Paulo; DPU; Defensoria Pública Estadual/SP; Polícia Federal; Caixa Econômica Federal; Alto Comissariado das Nações Unidas Para Refugiados (Acnur); Caritas Arquidiocesana de SP; Organização Internacional para Migrações; Bibliaspa; Panahgah; IIRGD/Poupatempo; CPAT; Receita Federal; Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de SP; Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo; Secretaria de Estado da Saúde do Estado de SP; Exército; Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania/SP; Puccamp, Mackenzie, São Francisco, Metrocamp e Anhanguera.
Assessoria de Comunicação Social do TRF3
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