Entre 17 e 19 de março, força-tarefa devolveu dignidade, esperança e direitos a quem mais precisa
Com a missão de devolver dignidade e abrir caminhos para uma nova vida às pessoas que vivem nas ruas de Campo Grande, o Pop Rua Jud Pantanal 3 prestou 6.598 atendimentos entre os dias 17 e 19 de março, no Parque Ayrton Senna. Ao longo da ação, foram realizadas 191 audiências e emitidos mais de R$ 236 mil em Requisições de Pequeno Valor (RPV).
O evento, coordenado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) e pela Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul (SJMS), mobilizou uma grande rede de instituições públicas e organizações não governamentais para levar justiça, cidadania, saúde e assistência diretamente a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social.
Em três dias, foram distribuídas 191 ações judiciais, feitas 174 perícias, 188 registros no Cadastro Único (CadÚnico) e emitidas 188 Carteiras de Identidade Nacional (CIN).
O balanço inclui ainda 529 atendimentos das Defensorias Públicas, 341 do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 98 da Junta Militar, 54 do Procon e 107 sobre trabalho, entre outros.
Além disso, foram entregues 3 mil marmitas, 450 kits de higiene, realizados 190 cortes de cabelo, 82 atendimentos de saúde e 64 odontológicos, cuidados que alimentam autoestima e esperança.

Evento ocorreu no Parque Ayrton Senna em Campo Grande (Fotos: Acom/TRF3)
Membro do Comitê Gestor do Pop Rua Jud em Mato Grosso do Sul e juíza auxiliar à Presidência do TRF3, Monique Marchioli Leite detalhou o trabalho da Justiça Federal nesta edição do evento.
“Recebemos pessoas em situação de rua que até pouco tempo eram seguradas e tinham direito ao auxílio-doença, porém o mais concedido foi o benefício de asistencial. Além disso, tivemos muitos benefícios por incapacidade, o que mostra que a pessoa era segurada até pouco tempo.”
Ela completou que o benefício pode significar a esperança que faltava para que cada uma delas possa se reerguer e retomar sua vida.
Monique Marchioli Leite, membro do Comitê Gestor do Pop Rua Jud em Mato Grosso do Sul
O professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Aurelio Tomaz da Silva Briltes, enalteceu a ação.
“O Pop Rua Jud é essencial. Aqui vemos milhares de pessoas em extrema vulnerabilidade, que no cotidiano não têm a menor chance de acessar serviços básicos de justiça e cidadania. Seja pela distância, pela falta de informação ou pela própria condição de vida”, opinou.
O professor da UFMS Aurelio Tomaz da Silva Briltes
Atendimentos que transformam vidas
A vida de B.C.B mudou drasticamente após um trauma profundo ainda na adolescência, quando foi violentada por um familiar. Ela encontrou nas drogas um caminho doloroso, mas conseguiu buscar ajuda e iniciar sua recuperação na Casa de Apoio Santa Clara.
No Pop Rua Jud Pantanal, teve reconhecido o direito ao benefício assistencial, após participar de uma audiência judicial.
“Até os meus 15 anos, a minha vida foi boa, depois não foi mais. Graças ao meu Senhor do Bonfim, hoje consegui o meu LOAS. Estou muito feliz. Não vou mais passar fome e nem mendigar na calçada.”
Generosa Pereira Lacerda tem 97 anos e vive com a filha Zênite Pereira Lacerda, 67 anos. Há dois meses, o pagamento do benefício assistencial ao idoso (Loas) foi interrompido por ela ter ido morar temporariamente com outra filha. Uma pequena diferença na renda per capita dos moradores da casa fez com que o pagamento do benefício fosse cortado automaticamente pelo INSS.
Zênite depende de ajuda para cuidar da mãe que permanece acamada e utiliza fraldas. A questão foi resolvida em uma audiência. Após inspeção na casa da família, a procuradora federal Cláudia Preparario e a juíza federal Eduarda Alencar Maluf Kiame comprovaram o direito ao benefício, que foi restabelecido.
“Graças a Deus foi resolvido. Isso é muito bom tanto para mim quanto para minha mãe”, comemorou Zênite.
Zênite Lacerda conseguiu restabelecer o benefício assistencial para a mãe Generosa
Maria Carlota Castro dos Anjos começou a costurar com cinco anos de idade, fazendo “barrinha de calça e pontinho x”. Ela trabalhou na profissão até 2021, quando sofreu um acidente que mudou a sua vida. Ela foi entregar suas costuras, e, no retorno à sua casa, uma moto a atropelou.
Ela recebeu o seguro por Danos Pessoais causados por Veículos Automotores Terrestres (DPVAT) e auxílio-doença. Porém na última perícia, o benefício foi cortado pelo INSS. A autarquia argumentou que ela poderia voltar a trabalhar. No Pop Rua Jud, recuperou o direito ao auxílio por incapacidade temporária, retroativamente, e foi aposentada por incapacidade permanente, a partir de 18 de março deste ano.
“Eu fiquei muito feliz, não esperava conseguir esse benefício. Agora vou tentar comprar uma casa própria”, declarou.
A juíza federal Eduarda Kiame conduziu a audiência da costureira. Ela explicou que para a concessão do benefício a pessoa com incapacidade total e permanente é levado em consideração situações como as condições de trabalho do segurado, além do laudo médico.
“A dona Maria Carlota é uma senhora de 64 anos que trabalhava com costura, não tinha alto grau de instrução e não poderia ser recolocada em outra profissão. Em alguns casos, a pessoa fica incapacitada para todo tipo de trabalho, principalmente, quando levamos em consideração fatores sociais e econômicos de onde ela cresceu”, completou.
Maria Carlota foi aposentada durante o Pop Rua Jud Pantanal 3
Diney Cardoso, 72 anos, nasceu em Araçatuba/SP e vive em Mato Grosso do Sul desde os sete anos de idade. Trabalhou toda a vida na construção civil como ajudante de pedreiro e, em 2019, passou a receber o benefício assistencial ao idoso (LOAS).
Em 2025, após a morte de seu irmão gêmeo, que também recebia o LOAS, o INSS suspendeu o benefício de Diney por engano, suspeitando de seu óbito. Sem solução na autarquia, ele buscou ajuda da Defensoria Pública no Pop Rua Jud. Foi informado da situação da ação e, posteriormente, teve o benefício restabelecido em audiência conduzida pela Justiça Federal.
“Graças a Deus conseguimos resolver. Tirou um peso das minhas costas. É o valor do meu alimento e do meu lazer”, celebrou.

Diney Cardoso teve restabelecido o direito ao benefício assistencial
Nilson Lisboa Duarte, 53, foi criado na roça e trabalhou como campeiro. Enquanto cuidava de uma fazenda, foi picado por uma jararaca. Para tentar conter o veneno, fez um corte na perna e buscou ajuda até chegar ao hospital. “Montei no cavalo e fui até o assentamento. De lá peguei carona para chegar no hospital”, relatou.
As sequelas do acidente na perna esquerda o deixaram dependente de muletas e impossibilitado de trabalhar. Ao procurar atendimento no Pop Rua Jud, teve reconhecido o direito ao benefício assistencial.
“Esse benefício é muito bom. Saio daqui feliz e contente, pois não estou conseguindo mais trabalhar.”

Nilson Duarte irá receber o benefício assistencial à pessoa com deficiência
Histórias que emocionam
Gerson Correia Duarte, 58, e seu irmão Carlos Alberto Correa Duarte, 62, viviam em situação de extrema pobreza, sobrevivendo com apenas R$ 600 do Bolsa Família. Após o agravamento da esquizofrenia de Carlos em 2022, ele precisou ser internado no Hospital São Julião em Campo Grande. O irmão passou a se dedicar integralmente aos seus cuidados.
O advogado Enzo Cassol Moraes, 24, conheceu o caso por meio do pai de um amigo que trabalha no Samu. Após identificar a situação de miserabilidade em que viviam, identificou que Carlos tinha direito ao BPC havia anos. Enzo fez o requerimento administrativo no INSS, que foi negado. O benefício foi finalmente reconhecido durante o mutirão.
“Hoje, no Pop Rua Jud, através desse olhar mais humano, de empatia, sobe a condução do doutor Fernando Nielsen, deu certo e ele irá receber o benefício. Carlos alcançou um direito que sempre teve, mas que nem sabia que tinha”, frisou o advogado.
Gerson celebrou emocionado, afirmando que o benefício mudará sua vida e permitirá melhorar a casa onde moram.
“Esse benefício vai mudar minha vida cem por cento, pois vai me ajudar a cuidar dele. Agora pretendo arrumar a casa, tinha medo de ela cair em cima da gente”, declarou Gerson.

Professor Aurelio Briltes, Enzo Moraes, Carlos e Gerson Duarte no hospital São Julião
Begair Soares Pinheiro realizou o sonho de ser caminhoneira por anos. Um acidente em uma cachoeira mudou seus planos e a afastou da profissão. Atualmente, mora em um barraco de lona no Porto Seco de Campo Grande. “Fico muito sentida, porque era o meu sonho. O médico disse que se eu voltar, vou parar em uma cadeira de rodas”, relatou.
Após procurar auxílio na Defensoria Pública, foi encaminhada para participar do Pop Rua Jud Pantanal.
“É pouco, mas é meu dinheiro. Vou entrar no banco com o meu cartão, pegar o meu dinheiro. Eu só comia arroz, feijão e ovo, mas agora eu vou comer uma carninha. Estou muito feliz com essa ação que ajudou muita gente”, disse emocionada, após ter reconhecido o direito ao benefício.
Begair Soares Pinheiro irá receber o benefício assistencial
Em fevereiro de 2026, Jonathas Rezine, 29 anos, foi baleado após uma discussão de trânsito, sofrendo graves lesões que o deixaram incapacitado. “O tiro certou minhas costas, perfurou meu pulmão e precisei retirar o baço. A bala se alojou na medula, próxima à coluna”, detalhou.
Ele havia tentado requerer benefício por meio do INSS, mas não teve êxito. Ao assistir uma reportagem sobre o Pop Rua Jud na televisão, buscou atendimento no Parque Ayrton Senna. No dia 18 de março, fez cadastro e passou pela perícia. No dia seguinte, recebeu a notícia que terá direito ao auxílio por incapacidade temporária por um ano.
Jonathas Rezine irá receber o auxílio por incapacidade temporária por um ano
Samira Nunes, 48, é um outro caso comovente. Após sofrer um acidente vascular cerebral raro, Samira Nunes, 48, teve o pedido de benefício assistencial negado pelo INSS. Na ação realizada no Parque Ayrton Senna recebeu a notícia que tanto esperava. Um acordo com a autarquia conduzido pela Justiça Federal reconheceu o direito ao benefício assistencial.
“É uma sensação muito boa, estou me sentindo abençoada. Fui muito bem atendida e não tenho palavras para agradecer", declarou, emocionada, após participar da audiência.
Samira Nunes também irá receber o benefício assistencial
Encerramento
Em nome da Justiça Federal, o diretor da SJMS, juiz federal Fernando Nardon Nielsen, agradeceu às instituições participantes e destacou a importância da união entre os órgãos envolvidos.
“Que a cada dia a gente possa solidificar ainda mais essas parcerias e realizar novamente o projeto no próximo ano".
A vice-prefeita de Campo Grande, Camila Nascimento, esteve presente no terceiro dia de evento e reforçou o compromisso do município com a iniciativa.
“É a parceria que faz tudo acontecer. Quando ela não existe, as coisas demoram e acabam sendo esquecidas. Neste caso, as pessoas não podem ser esquecidas. Participamos da ação no ano passado e, desta vez, vimos ainda mais atendimentos. Estamos à disposição para colaborar nos próximos eventos.”
O mutirão integra as políticas públicas judiciais promovidas pelo Comitê Regional Pop Rua Jud do Estado de Mato Grosso do Sul, instituído pela Resolução Conjunta nº 11/2025. A ação também atende à Resolução CNJ nº 425/2021, que criou a Política Nacional Judicial de Atenção a Pessoas em Situação de Rua e suas Interseccionalidades.
O primeiro Pop Rua Jud em Campo Grande ocorreu em 2023 e prestou mais de 3,5 atendimentos. Já a segunda edição, realizada em 2025, ultrapassou 4,5 mil.
Autoridades das instituições parceiras presentes na solenidade de encerramento
Assessoria de Comunicação Social do TRF3
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